terça-feira, 14 de maio de 2013

TEMPOS DIFÍCEIS?






 publicado na Revista Bem-Estar, Diário da Região, 12 de maio 2013

Conta o vocalista da banda Jota Quest que uma pessoa da família lhe pediu: “faz uma música fácil de cantar!” O pedido foi atendido: “Fácil, extremamente fácil, pra você, eu e todo mundo cantar juntos”.
Transportando para a vida, será que é possível tornar a vida fácil? Para você, eu e todo mundo vivermos juntos? Podemos compor uma vida onde impera a harmonia dentro de nós e nos nossos relacionamentos?
Muitas vezes observo as pessoas dificultando a realidade, fazendo manobras habilidosas para tornar as coisas mais difíceis do que poderiam ser. Por que? Por falta de conhecimento de atalhos ou de caminhos mais diretos que poderiam leva-las sem tantos desgastes aos objetivos almejados. Muitas nem mesmo se arriscam a darem os primeiros passos por perceberem a realidade através das vidraças embaçadas de seus próprios referenciais. Diante de cada possível solução, elas automaticamente dizem: “é difícil!” e colocam um ponto final, sem investir muito pensamento.
Mas, assim como a canção, há quem torne a vida lucidamente fácil. Simples sem ser simplista.  Simples e rica, bela, dinâmica, norteando ações cujo resultado pode ser uma vida farta de boas surpresas.
Vida fácil não é aquela na qual tudo vem de “mão beijada”, sem fazer qualquer tipo de empenho. Porque se torna difícil conviver com tantas facilidades que não foram conquistadas, que não brotaram das próprias escolhas.
 Vida fácil não é aquela na qual o dinheiro resolve tudo (resolve mesmo?) ou na qual as preocupações não existem ou são banais. Porque se torna difícil conviver com o tédio.
 Vida fácil pode ser a sua, a minha, a vida de qualquer pessoa que aceita a realidade sem conformismo, com sabedoria e gratidão. Podemos fazer movimentos para mudar a realidade com atitudes equilibradas, prezando acima de tudo o respeito a si ao invés de criarmos expectativas muito altas em relação às nossas metas, às pessoas, às situações que não estão sob nosso controle.
Situações potencializadas e denominadas “problemas” sem solução ou de difícil solução, são construídas nas nossas mentes e nos fazem acreditar que a vida não é nada fácil, não pode ser fácil para ninguém, principalmente nestes tempos tão difíceis, ora!
E quando os tempos não foram difíceis? Charles Dichens já em 1854 escreveu a obra “Tempos Difíceis”, importante contribuição que introduziu a crítica social na literatura de ficção inglesa. Naquela época, áreas trágicas da vida e da opressão humana foram relatadas no estilo romance.
Na nossa sociedade contemporânea, temos tragédias e temos dificuldades sim, mas qual é o tempo que dedicamos às lamentações sobre elas? Qual é a energia que consumimos durante a fase: “não acredito que isso está acontecendo e pior, acontecendo comigo!” Há quem fique muito mais tempo do que o necessário nesta fase, sem perceber que a paisagem mudou, a chuva passou e o sol já está brilhando lá fora. Porque é muito mais fácil ficar se lamentando do que pensar. Sim, pensar na solução. Nas alternativas para seguir adiante. Principalmente quando a solução depende de mudanças pessoais, de adaptações que não estamos dispostos a fazer, de reorganizações internas e externas para transformar lágrimas em sorrisos, distâncias em encontros.Fácil é se vitimizar diante da vida sem assumir responsabilidades e movimentar-se através de ações que promovam o rompimento do que nos causa mal-estar.
 Dentro de nós está a paz e até mesmo as fatalidades podem nos beneficiar no processo evolutivo. Vamos transformar nossas vidas numa canção agradável de cantar, escrevendo nossa história dia a dia com episódios inéditos e inesquecíveis.
Fácil assim!






Kátia Ricardi de Abreu
Psicóloga Clínica  especialista em Análise Transacional e consultora de empresas
17 32332556

terça-feira, 5 de março de 2013

DA LAVANDERIA PARA O MUNDO



DA LAVANDERIA PARA O MUNDO

publicado no livro "Presença da Mulher", TSH Editora



Manhãzinha calma e tranqüila dentro de mim. Abro meus e-mails ao mesmo tempo em que entro na página do facebook para saber como estão meus amigos virtuais, quando Lelé Arantes me chama no bate-papo e diz: “Kátia, você pode escrever algo sobre a mulher?”
Impossível dizer “não” para este tema tão fascinante. É como entrar no túnel do tempo e rever os flashes da História, misturada nela que estou, pela minha simples condição de mulher. É juntar o antigo com o moderno na arquitetura comportamental desta intrigante e inquieta alma de mulher.  Então, cá estou eu, nesta tarde de domingo ensolarado, com o notebook na lavanderia da minha casa, tentando escrever ao mesmo tempo em que aguardo a máquina de lavar roupas terminar a centrifugação para poder estendê-las no varal.

UM TEMPO DE DÚVIDAS E ANGÚSTIAS:

Faço uma retrospectiva de tudo o que já escrevi sobre a mulher nas últimas décadas e encontro um dos primeiros textos, quando estava descobrindo que é possível trabalhar, ser mãe e dona de casa ao mesmo tempo. Naquela época, muitas mulheres saíam para trabalhar com culpa por deixarem seus filhos em casa, com babás, creches ou avós. Chegavam a abandonar temporária ou definitivamente a carreira profissional para cuidar dos filhos.
Anterior aos filhos, muitas mulheres tinham que optar entre carreira e casamento. “Por que você deixou o seu último emprego?” – era uma das perguntas que eu fazia na entrevista para recolocação profissional na Secretaria de Emprego e Relações do Trabalho do Estado de São Paulo. A resposta mais freqüente era: “parei para casar”.
O trabalho foi, durante muito tempo, uma forma de sobrevivência para a mulher, sem a menor chance de somar a isso, algo próximo à realização. A partir do momento em que ela encontrava um provedor, ajustava-se à expectativa da sociedade machista e abandonava o trabalho. A própria estrutura social induzia a isso, tendo em vista a escassez e despreparo das creches e escolinhas particulares. A mulher não conseguia conciliar a vida profissional com o casamento e o cuidado aos filhos, por falta de estrutura emocional e social.
“Nosso lugar é no mundo e não apenas na cozinha” – foi o que escrevi no artigo “Guerreiras”, publicado cerca de 25 anos. Viva!  Hoje, estou eu aqui na lavanderia neste domingo ensolarado, com este notebook conectado ao mundo. Nosso lugar não é apenas na cozinha, nem apenas na lavanderia.


EVOLUÇÃO E CONQUISTAS:

Devemos agradecer a muitas mulheres como Alzira Soriano, Ana Pimentel, Maria Quitéria, Maria Bonita, Leila Diniz, Escrava Bernarda, Maria Lenk, Fernanda Montenegro, Chiquinha Gonzaga, Luz Del Fuego, Marquesa de Santos, Princesa Isabel, Chica da Silva, Condessa de Barral, que abriram caminhos para que estivéssemos na posição atual.
O frágil sexo forte mereceu conquistas como a pílula anticoncepcional, nos anos 60, o divórcio em 1977, a invenção das fraldas descartáveis em 1951, e do sutiã que livrou a mulher de apertados espartilhos, em 1914; o absorvente descartável em 1930, o “ohne binden”, que significa “sem absorvente”, mais conhecido como O.B., em 1974 no Brasil, o aspirador de pós em 1901 e a máquina de lavar roupas em 1915 (olha ela aqui, graças a qual escrevo estas páginas!).
Tudo isso e muito mais contribuiu para que a mulher se tornasse mais livre e versátil, para poder se manifestar no mundo do trabalho pelo prazer da realização e não apenas, para sobreviver enquanto aguarda o casamento.
Em poucas décadas, a evolução da mulher no mundo ocidental tornou-se cada vez mais acentuada no que diz respeito a seus direitos. Ficou mais acessível a entrada no mercado de trabalho, no meio universitário e soma-se a isso, a descoberta de novas formas de se conduzir no amor. A saída do universo doméstico e do exclusivo cuidado com os filhos conduziu-a para um espaço público antes reservado apenas aos homens.


UM POUCO DE ESTATÍSTICA:


Segundo o IBGE, existem 3.941.819 milhões de mulheres a mais que homens no Brasil. A taxa de participação das mulheres na População Economicamente Ativa (PEA) é consideravelmente superior à média latino-americana (55% contra 45%), mas é inferior à média dos países desenvolvidos, de acordo com o relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) apresentado em 2003.
 As mulheres inseridas no mercado de trabalho dedicam 22,1 horas por semana às tarefas da casa, enquanto os homens gastam apenas 9,9 horas com essas atividades. Apesar de apoiar a ida da mulher para o mercado de trabalho, apenas 6,1% dos homens dividem as tarefas domésticas com elas. A dupla jornada ainda é a realidade da mulher brasileira.
Durante a semana, a jornada diária da mulher é de 502 minutos, 5% maior que a do homem (480 minutos). No fim de semana, a jornada diária da mulher é de 326 minutos, 62% maior que a carga masculina (201 minutos), segundo dados da pesquisa da socióloga Neuma Horizonte, em 2002.
Os filhos e o emprego vêm em primeiro lugar para 52% das mulheres brasileiras.
No Brasil, 50% da mão de obra economicamente ativa estão representadas pelas mulheres. Na política, as mulheres ocupam menos de 10% dos cargos existentes, embora a liderança maior do país atualmente esteja representada por uma mulher.

Cerca de 40% do mercado de trabalho é composto por mulheres nos mais diversos cargos e funções. Das 100 melhores empresas para se trabalhar, no Brasil, só 7,7% têm diretoras e a questão que está por trás disso é o preconceito. Uma bobagem! O universo do trabalho lucrou com o ingresso das mulheres e a dinâmica familiar obteve benefícios da contribuição masculina, de tal forma que as diferenças se completam na formação de uma sociedade onde poderá não existir privilégio de um gênero sobre o outro.
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OS EXTREMOS DA VIOLÊNCIA:

No mundo, a cada cinco dias de falta da mulher no trabalho, um é decorrente de violência sofrida no lar. Segundo a ONU, o Brasil deixa de aumentar em 10% o PIB em decorrência da violência contra a mulher.
Mas não é apenas este tipo de violência que ocorre. A mulher está proporcionando violência a ela própria. Com filtro solar e sem cair dos saltos altos, a mulher passou de guerreira, a avassaladora, conquistou sua liberdade e transferiu a submissão dos homens para os padrões de beleza externos. Não basta ser inteligente, competente, bem sucedida e realizada profissionalmente. Ela se cobra ser magra, bonita, bem cuidada, corpo perfeito, sempre jovem, mãe compreensiva, dedicada, bem humorada, amante ardente e bem disposta, além, é claro, de economicamente independente. Que amplitude de exigências!
O excesso de demandas do cotidiano da mulher é o preço que ela está pagando por não saber lidar com as conquistas de forma equilibrada. Parece que o mundo vai acabar nas próximas horas e ela não pode respeitar a si, permitindo-se não sucumbir aos exageros da evolução tecnológica da beleza. Sepultar a celulite, as rugas e os complexos físicos, não deve ser mais importante do que a sua maturidade emocional.
A mulher pode desfrutar da tecnologia em prol da juventude, carregando na bolsa, além do filtro solar, a bagagem do que já viveu e as mágoas que chorou, para que a ênfase na aparência física em detrimento de sua capacidade intelectual não diminua seu valor. Pode aprender a lidar com a solidão, vencer o sentimento de culpa, encontrar um ponto de equilíbrio para o consumo excessivo, deixar de ser escrava de padrões de beleza absurdos e abandonar a tirania da balança, da moda.
Por outro lado, pode ter a alegria de escolher com quem, onde e como quer ir, desenvolver relacionamentos saudáveis, com autonomia, ao invés do tradicional “Eu só vou se você for”, “Você só vai se eu deixar”.


COMPORTAMENTO SEXUAL:


            Observa-se que hoje, o sexo não é mais o componente final de uma relação. Pelo contrário, ele faz parte dos itens que levam a decidir querer ou não querer um compromisso. É uma mudança significativa no comportamento feminino, tendo em vista toda a repressão que havia na educação das mulheres há tempos atrás.
            O médico, psicoterapeuta sexual Flávio Gikowate distingue a mulher sexualmente madura da mulher exibicionista.
            Segundo ele, a mulher moderna passou a amadurecer não só emocionalmente, mas sexualmente, de tal forma que ela decide se adentrar num relacionamento pelo simples prazer lúdico da relação. Ela não quer compromisso, não quer nada em troca. Quer se divertir, quer brincar na cama. Geralmente, ela é naturalmente sedutora, exuberante, resolvida e o conjunto de suas qualidades a destaca de mulheres que possuem uma beleza padrão sem mistérios. Esse tipo de mulher deve ser distinguido da mulher exibicionista também sedutora, que sofre de profunda imaturidade emocional, segundo Gikowate, caracterizada por forte egoísmo e baixa tolerância às frustrações; ela usa o intelecto aliado à sensualidade como instrumento para atingir seus objetivos. Apenas promete, mas foge da relação sexual porque seu objetivo não é o sexo. É a instrumentalização da sexualidade feminina a serviço de outros propósitos que não o prazer.  Trata-se de uma armadilha consciente ou não.
            A mulher sexualmente resolvida está a procura do homem sexualmente resolvido, que tem sensibilidade suficiente para distinguir o que está em jogo na hora da sedução. As armadilhas não fazem parte de seu repertório comportamental e ela se ofende quando não é tratada de acordo com sua clareza de intenção. Ela não precisa de subterfúgios nem de armadilhas porque atinge seus objetivos de forma auto-suficiente, independente, ficando a sexualidade livre para ser exercitada como fonte de prazer.
            Mulheres resolvidas não têm ressaca moral, porque há uma liberação interna para o sexo como há para todas as demais áreas antigamente consideradas tabus no universo feminino. Elas têm a razão fortalecida, autocontrole, segurança, ousadia para falar e para agir, auto-estima elevada, sabem viver o desejo com intensidade sem que isso interfira nas demais áreas de sua vida.
            Por todo este conjunto, elas acabam se sentindo atraentes e competentes ao ponto de não se preocuparem com a perfeição física; sabem que a sensualidade não depende de beleza física, mas de todo um conjunto. Beleza e sensualidade são coisas distintas e nesta competição, a sensualidade ganha no sentido de provocar o desejo e o interesse dos homens.
            Alguns homens ainda insistem em colocar as mulheres como farinha do mesmo saco. Com isso, os desencontros acontecem e muitas oportunidades se perdem por não haver um refinamento perceptivo sobre quem está diante de quem. Acredito que seja por este motivo que muitas mulheres acabam se machucando e também colocando os homens como farinha do mesmo saco.
            Na minha experiência clínica observo pessoas interessantes e belas, com muitas qualidades, em busca de romance, mais do que qualquer outra coisa. Mas o medo ainda as atrapalha quando estão diante daquilo que procuram.
            Fugir do prazer alcançável é a covardia justificada pela ausência de sensibilidade competente para distinguir que nada poderá acontecer sem que as duas partes realmente queiram.
            A mulher sensual e sexualmente resolvida descobre-se diante do homem resolvido quando ambos se permitem exercitar o lúdico de uma relação.


ENTRE MULHERES:

Estudiosos observam que a igualdade entre homens e mulheres nunca foi aceita. Eu arrisco dizer que nunca foi aceita até mesmo pela própria mulher, que passa a discriminar a si ou discriminar outra mulher, principalmente dentro do universo corporativo.
Não são raros ataques invejosos, competições desonestas e assédio moral entre as próprias mulheres no ambiente de trabalho, principalmente quando a competência evidente é mais um atributo a ser agregado à condição feminina.
Na opinião de Lívio Callado, ator e professor de Marketing Pessoal e Etiqueta Empresarial, as mulheres competem entre si, naturalmente.
Se a mulher aprendeu a conviver com as diferenças entre ela e os homens nos assuntos de rotina profissional, outro passo é aprender a conviver com as possíveis diferenças entre elas.
Causa-me perplexidade os jogos de poder entre as mulheres, que relutam em reconhecer capacidades, competência e liderança entre si, criando conflitos que desgastam as relações interpessoais.
Tudo o que foi conquistado para superar as distâncias que separavam a mulher do homem ao longo da História, através de direitos trabalhistas, do exercício diário de destruição do modelo frágil, agora pode ser avaliado como positivo: a humanidade sabe que homens e mulheres se enriquecem com suas diferenças.
Se um dia, as mulheres se uniram para vencer a discriminação e tantas outras doenças sociais, não faz sentido que utilizem a inteligência, poder e capacidade para construir a presente desunião que faz minar os esforços grupais. Seria uma mudança da posição de dicriminada para discriminadora?
A mulher aprendeu a se fazer respeitar com a sua postura, sua força criadora, e hoje dá a sua contribuição no mundo conquistando cada vez mais a igualdade diante de uma sociedade eminentemente machista.
Penso que o momento é também de conquistas internas, através do autoconhecimento, que pode levar a muitas mudanças no lar, nas empresas e organizações, no que diz respeito ao relacionamento da mulher com o mundo e sobretudo com a própria mulher.
           

            CONCILIANDO TRABALHO E REALIZAÇÃO:

A mulher conquistou espaço no mercado de trabalho com as qualidades altamente valorizadas tais como flexibilidade, capacidade de negociar, mediar, inovar, e aprendeu a conciliar papéis. Poderá construir uma nova história, na qual juntamente com o homem, encontrará novos pactos de convivência e novas referências de relacionamentos públicos e privados.

            Com a roupa lavada e estendida no varal, posso finalmente me sentar na varanda e assistir ao espetáculo do pôr-do-sol. Mas antes disso, com apenas um clique no mouse, da lavanderia para o mundo, vai este texto para você leitor (a).

segunda-feira, 4 de março de 2013

PARA O AMOR DURAR



PARA O AMOR DURAR!

publicado na Revista Bem-Estar em 03 de março de 2013


Depois daquela atração que virou amor, veio o casamento. Quem imagina que colocou estabilidade na relação junto com aquela argolinha no dedo esquerdo, está mais que por fora. E, como diz a minha amiga, está “redondamente enganado” (e ela faz girar o dedo indicador direito ao pronunciar estas palavras) quem pensa que o amor é tudo para perpetuar uma relação conjugal. Amar não basta! Para manter o relacionamento é preciso mais.
                Para o amor durar, ambos precisam investir diariamente, dedicarem-se fortalecendo este amor com alguns ingredientes.
                Respeito e liberdade são essenciais. As diferenças precisam ser respeitadas. Isso envolve objetivos pessoais, profissionais, gostos. Quando a pessoa precisa de aprovação e consentimento para fazer tudo, só porque ama, este amor passou a limitar e deixar de acrescentar oportunidades de crescimento, muitas vezes causando danos graves na personalidade daquele que não pode mais se permitir ser quem é em nome do amor.
A liberdade pessoal e do casal precisa ser preservada. Quando deixa de existir, o relacionamento se transforma em uma prisão e quando existe em excesso pode provocar o afastamento.
                A comunicação é a chave do entendimento. Embora muitos não gostem de “discutir a relação”, o entendimento envolve conversa para chegar a um acordo.
                A admiração, que aparece intensamente no período da conquista, não pode se esmaecer no decorrer do tempo. O desencantamento, quando se descobre os pontos fracos ou não tão bons do parceiro, pode ser apenas suficiente para coloca-lo na condição de quase perfeito e não mais que isso. Ou seja, eliminar o relacionamento porque alguns pontos nele saíram do script do mais recente sucesso musical do Roberto Carlos é, no mínimo, uma imaturidade.
                E o ciúme? Na medida certa, ajuda a aquecer o relacionamento dando sinais de que “eu me importo com você”. Porém, seus excessos beirando a patologia, não ajudam em absolutamente nada, causando desgaste com as acusações e desconfianças infundadas.  
                Apoiar as decisões do outro, mesmo quando não estamos de acordo, em respeito aos seus sentimentos e desejos, é a mais pura manifestação de companheirismo.
                Responsabilidades divididas e estabelecidas com cumplicidade também são ingredientes para o amor durar. Isso diz respeito aos deveres do lar, educação e cuidados com os filhos, administração da entrada e saída do dinheiro.
                A prática de um planejamento comum, como comprar um imóvel, carro, fazer uma viagem, ter ou não ter filhos e quando isso vai acontecer, torna as conquistas mais prazerosas.
                A vida sexual é de fundamental importância no relacionamento e todas as suas nuances fazem muita diferença no cultivo do amor.
                Quando recebo em meu consultório um casal com dificuldades no relacionamento, é muito comum ser estimulada a dizer “quem está certo, quem está errado” nos pontos conflituosos. Este não é o objetivo do trabalho terapeutico e sim o resgate da comunicação saudável e de todos os pontos que transformaram a união inicialmente prazerosa, em aversiva, limitadora e infeliz.
 A mediação dos conflitos pode levar à retomada de uma convivência saudável e harmoniosa, dando espaço para o amor rolar gostoso, sem jogos de poder.
Relacionamentos são renováveis a cada dia. Quando existe neles clareza, compreensão e aceitação o amor tem grandes chances de durar!

Kátia Ricardi de Abreu
Psicóloga Clínica e Consultora de Empresas
17 32332556

domingo, 3 de março de 2013

DIA INTERNACIONAL DA MULHER

Vamos comemorar dia 08 de março, o DIA INTERNACIONAL DA MULHER, data histórica e não comercial, como muita gente pensa. Esta foto registra minha palestra na Câmara Municipal de Olímpia.   Todos os anos sou convidada a falar sobre a MULHER e seu papel na sociedade contemporânea, suas conquistas e evolução no mundo.

Aqui no meu blog, vou publicar artigos a semana toda. Confiram!

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

FAXINA

FAXINA

Dia ensolarado e quente. Minha inquietude fazia borbulhas dentro de mim. Quem sabe se eu fizesse alguma coisa... arrumar o meu armário! Isso! Arrumar armários, gavetas, nunca é demais! A gente sempre encontra alguma coisa ali guardada que desperta alguma lembrança ou que já está na hora de descartar.

Lá fui eu toda animada, apesar da temperatura estar mais propícia para um mergulho, obviamente não dentro do armário.

E de repente me peguei fazendo uma faxina muito mais interna do que externa. Borbulhava em mim sentimentos, emoções, que eu fui levemente conectando, ouvindo, decifrando. Foi inevitável. Dormi e amanheci angustiada, mas pronta para minhas decisões.

Hoje o dia está nublado, a temperatura mais amena. O sol não brilha tão audaciosamente como ontem. Coloco meus tênis para uma caminhada e sei que lá vou eu novamente mergulhar dentro de mim enquanto caminho.

Que coisa mais irritante, não consigo sair da subjetividade! Ou talvez deva fazer uma outra leitura de mim. Parar de me incomodar com este meu lado que pode estar mais para corajoso do que para irritante. Talvez... Porque é preciso muita coragem para fazer uma faxina interna.

Lá vou eu dar meus passos longos e rápidos na calçada da vida. Lá vou eu abandonar o que não mais me faz bem e percorrer caminhos desafiadores na estrada evolutiva.

A angústia ainda me ronda. Mas sei que logo chegarei  naquele lugar confortável dentro de mim, que me diz: Kátia, foi melhor assim!

Mais tarde vamos brindar a passagem para um novo ano. Eu vou brindar mais que isso. Vou brindar a passagem para uma nova etapa da minha vida.

Tim-tim! Feliz vida nova!

Kátia Ricardi de Abreu



domingo, 23 de dezembro de 2012

FELIZ MUNDO NOVO



FELIZ MUNDO NOVO!

Um dos mais antigos povos da América Central, os Maias, conhecidos até hoje pela sua forma estruturada de entender ciência, história, arte e religião, apontaram 2012 como o fim de um ciclo na Terra. O calendário Maia chama a atenção de filósofos e cientistas, por sua exatidão e mistérios, citando 2012 como um ano de mudanças em nosso planeta. A profecia Maia não fala em fim do mundo, mas em um processo de transformação onde haverá evolução para esferas mais altas, imperando a harmonia.
A Agência Espacial Americana (NASA) divulgou um vídeo, através do cientista Don Yeomans, com respostas às várias teorias que se popularizaram sobre o fim do mundo, tendo em vista o grande número de cartas recebidas, enviadas por crianças e adultos preocupados com os rumores do apocalipse.
Algo parecido ocorreu por ocasião da virada do milênio.  Havia rumores de que o mundo iria acabar no ano 2000. Realmente, aquele mundo acabou, e uma nova era surgiu com a expressiva aceitação da internet e dos avanços tecnológicos. O comportamento humano passou a se adaptar ao “ponto com” e apesar de muitas críticas e resistências, o mundo virtual está aí dando novo perfil para as relações humanas. Crianças usam celulares, adolescentes namoram pelo Messenger, pessoas de todas as idades se comunicam pelo Facebook. Escrevo estas linhas no meu computador e envio o texto para o jornal com apenas um clique no mouse em substituição à máquina de datilografar, que virou peça de museu. Houve, portanto, o fim de “um tipo de mundo” e não o fim do mundo.
Podemos acreditar em uma nova era de esperança e conscientização, que não diz respeito à mudança em nossa Galáxia - esta segue seu ciclo imutável. O que pode e deve mudar é a consciência da humanidade no que concerne à sua evolução e isso começa dentro de cada um de nós.  A atitude do ser humano pode mudar para uma esfera de compreensão e integração nas relações interpessoais e em tudo que se refere ao Universo.
Através de transformações internas, uma nova realidade poderá surgir. Segundo os Maias as transformações e evoluções da consciência alcançarão a comunicação pelo pensamento. É o início da era de luz e transparência. É a renovação da esperança na vida.
Aproveite este tempo para recomeçar. Dê uma nova chance a você. O mundo não acabou, ainda estamos aqui! Mas você pode acabar com as coisas que não fazem bem para você e para a humanidade.  Recomece pelos gestos mais simples, pelas palavras mais fáceis, pelas atitudes aparentemente insignificantes, pelas pessoas com quem você se sente mais à vontade. Faça por você, pela sua evolução e você estará contribuindo para a evolução de todos. Coloque na sua agenda um recomeço por dia, um pensamento diferente, um olhar sem julgamentos, uma leitura descontaminada da realidade.
 Ao invés de fim do mundo, podemos ter o fim do medo. E também o fim do sofrimento, das dores, das mentiras, da falsidade, dos excessos, do desequilíbrio.
Podemos pensar em uma existência sem violência, escassez, ameaças, desigualdades, crises, escândalos, aproximando-nos cada vez mais do amor e da fraternidade. E assim construiremos um mundo no qual brilhará a sua, a minha, a nossa luz! “Porque embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim”. Feliz mundo novo!

Kátia Ricardi de Abreu
Psicóloga Clínica e Organizacional Diretora da EGO Clínica e Consultoria
17 32332556