terça-feira, 23 de julho de 2013
domingo, 30 de junho de 2013
CHIQUE...
Publicado em 31 de junho de 2013 na Revista Bem-Estar, Diário da Região
Não entendo
absolutamente nada a respeito de moda. Pelo contrário, vivo por aí errando o
visual por pura ignorância e total rebeldia em seguir alguns padrões que não
estão de acordo com a natureza da minha personalidade. E longe de mim a ideia
de ter um personal style para ditar o
que devo usar, onde e quando e por quê. Estou mais para Coco Chanel com aquele
tal pretinho básico e fico até aliviada quando leio Danuza Leão corajosamente
confessando sua dificuldade em apreciar algumas tendências modernas de
justaposições, cores e tais.
No entanto,
esta dificuldade em me adequar aos estilos e tendências visuais está no avesso
da minha facilidade em buscar cada vez mais o que é chique no interior das
pessoas e de mim. São décadas de investimento nesta marca chamada “eu mesma,
muito prazer!”. Estou sempre de olho numa “loja” que venda a marca chiquérrima
chamada “autoconhecimento”. Acho chique demais quem se conhece.
Vamos
esclarecer que chique vem do termo francês chic,
que significa elegância. Pois é, penso que é muito chic a pessoa que sabe
quem é, que tem consciência de suas mais recônditas imperfeições e nenhum pudor
em reconhecer suas tão conquistadas habilidades. É um investimento e tanto
saber seus pontos fracos e fortes.
Como é
chique quem sabe se ouvir, sabe ouvir o outro, sabe quando falar, quando calar.
Uma pessoa chic fala na medida certa, sai de cena na hora certa e aparece no
palco da vida com a mais pura autenticidade.
Uma pessoa
chique diz “eu não sei” quando realmente não sabe e dificilmente ela pensa que
sabe quando não sabe. Lembro-me da Conferência que assisti em Belo Horizonte
com o norte-americano Richard Gordon Erskine, renomado profissional que
desenvolveu os postulados de Eric Berne através da psicoterapia integrativa.
Quando uma pessoa da plateia fez a ele uma pergunta sobre o desenvolvimento
emocional na vida intrauterina, ele respondeu com a maior naturalidade: “eu não
sei nada sobre isso. Não tive tempo de estudar o que acontece com a criança
antes de nascer, porque passei toda a minha vida tentando entender o que
acontece com ela depois que nasce”. Que coisa mais chique saber que não sabe e
dizer isso para uma plateia imensa, para poucas pessoas, para uma pessoa e
principalmente, para si.
Considero
elegante e muito chique quem olha nos olhos até ver a alma. Certo dia uma pessoa
me cumprimentou, e ao fazer isso olhei nos olhos dela para encontra-los, mas
eles já estavam em outro ponto do salão. Uma rapidez danada, procurando quem
era o próximo a cumprimentar. Mais dois segundos e ela conseguiria me ver.
Chique é
abrir um sorriso, fazer um aceno com a cabeça ou qualquer coisa que o valha,
informando que o outro não é invisível. Vamos dar um desconto para distrações
que qualquer simples mortal possa ter. Principalmente aqueles como eu que têm
uma dificuldade, a prosopagnosia. Verdadeiro alívio foi quando descobri que sou
prosopagnósica, ou seja, tenho dificuldades de reconhecer faces de pessoas fora
do ambiente no qual estou habituada a encontra-las, levo mais tempo para
lembrar de onde as conheço e já passei muito vexame por conta disso. A má
notícia é que não existe tratamento nem esperança de cura num futuro próximo.
Então, se a pessoa sorri eu correspondo, e fico coletando todos os dados
possíveis para me lembrar logo quem é ela e de onde a conheço. Mas se não
consigo, prefiro confessar. Chique é ser autêntico, então tá! Sou prosopagnósica,
pronto, e daí?
Quanto mais chique a pessoa é, mais simples ela se
torna. Suas atitudes e modos podem se distanciar às vezes das mais conhecidas
etiquetas de salão e marcas do mercado fashion,
mas tudo isso é nada pela sua postura chiquérrima de ser simplesmente quem ela
realmente é.
Kátia Ricardi de Abreu
Psicóloga, Diretora da EGO Clínica e Consultoria, especialista e
Análise Transacional
terça-feira, 14 de maio de 2013
TEMPOS DIFÍCEIS?
publicado na Revista Bem-Estar, Diário da Região, 12 de maio 2013
Conta o vocalista da banda Jota Quest que uma pessoa
da família lhe pediu: “faz uma música fácil de cantar!” O pedido foi atendido: “Fácil,
extremamente fácil, pra você, eu e todo mundo cantar juntos”.
Transportando para a vida, será que é possível tornar
a vida fácil? Para você, eu e todo mundo vivermos juntos? Podemos compor uma
vida onde impera a harmonia dentro de nós e nos nossos relacionamentos?
Muitas vezes observo as pessoas dificultando a
realidade, fazendo manobras habilidosas para tornar as coisas mais difíceis do
que poderiam ser. Por que? Por falta de conhecimento de atalhos ou de caminhos
mais diretos que poderiam leva-las sem tantos desgastes aos objetivos
almejados. Muitas nem mesmo se arriscam a darem os primeiros passos por perceberem
a realidade através das vidraças embaçadas de seus próprios referenciais.
Diante de cada possível solução, elas automaticamente dizem: “é difícil!” e
colocam um ponto final, sem investir muito pensamento.
Mas, assim como a canção, há quem torne a vida
lucidamente fácil. Simples sem ser simplista.
Simples e rica, bela, dinâmica, norteando ações cujo resultado pode ser
uma vida farta de boas surpresas.
Vida fácil não é aquela na qual tudo vem de “mão
beijada”, sem fazer qualquer tipo de empenho. Porque se torna difícil conviver
com tantas facilidades que não foram conquistadas, que não brotaram das
próprias escolhas.
Vida fácil não
é aquela na qual o dinheiro resolve tudo (resolve mesmo?) ou na qual as
preocupações não existem ou são banais. Porque se torna difícil conviver com o tédio.
Vida fácil pode
ser a sua, a minha, a vida de qualquer pessoa que aceita a realidade sem
conformismo, com sabedoria e gratidão. Podemos fazer movimentos para mudar a
realidade com atitudes equilibradas, prezando acima de tudo o respeito a si ao
invés de criarmos expectativas muito altas em relação às nossas metas, às
pessoas, às situações que não estão sob nosso controle.
Situações potencializadas e denominadas “problemas”
sem solução ou de difícil solução, são construídas nas nossas mentes e nos
fazem acreditar que a vida não é nada fácil, não pode ser fácil para ninguém,
principalmente nestes tempos tão difíceis, ora!
E
quando os tempos não foram difíceis? Charles Dichens já em 1854 escreveu a obra
“Tempos Difíceis”, importante contribuição que introduziu a crítica social na
literatura de ficção inglesa. Naquela época, áreas trágicas da vida e da
opressão humana foram relatadas no estilo romance.
Na nossa sociedade contemporânea, temos tragédias e
temos dificuldades sim, mas qual é o tempo que dedicamos às lamentações sobre
elas? Qual é a energia que consumimos durante a fase: “não acredito que isso
está acontecendo e pior, acontecendo comigo!” Há quem fique muito mais tempo do
que o necessário nesta fase, sem perceber que a paisagem mudou, a chuva passou
e o sol já está brilhando lá fora. Porque é muito mais fácil ficar se
lamentando do que pensar. Sim, pensar na solução. Nas alternativas para seguir
adiante. Principalmente quando a solução depende de mudanças pessoais, de
adaptações que não estamos dispostos a fazer, de reorganizações internas e
externas para transformar lágrimas em sorrisos, distâncias em encontros.Fácil é
se vitimizar diante da vida sem assumir responsabilidades e movimentar-se
através de ações que promovam o rompimento do que nos causa mal-estar.
Dentro de nós
está a paz e até mesmo as fatalidades podem nos beneficiar no processo
evolutivo. Vamos transformar nossas vidas numa canção agradável de cantar,
escrevendo nossa história dia a dia com episódios inéditos e inesquecíveis.
Fácil assim!
Kátia Ricardi de
Abreu
Psicóloga Clínica especialista em Análise Transacional e
consultora de empresas
17 32332556
terça-feira, 5 de março de 2013
DA LAVANDERIA PARA O MUNDO
DA
LAVANDERIA PARA O MUNDO
publicado no livro "Presença da Mulher", TSH Editora
Manhãzinha
calma e tranqüila dentro de mim. Abro meus e-mails ao mesmo tempo em que entro
na página do facebook para saber como estão meus amigos virtuais, quando Lelé
Arantes me chama no bate-papo e diz: “Kátia, você pode escrever algo sobre a
mulher?”
Impossível
dizer “não” para este tema tão fascinante. É como entrar no túnel do tempo e
rever os flashes da História, misturada nela que estou, pela minha simples
condição de mulher. É juntar o antigo com o moderno na arquitetura
comportamental desta intrigante e inquieta alma de mulher. Então, cá estou eu, nesta tarde de domingo
ensolarado, com o notebook na lavanderia da minha casa, tentando escrever ao
mesmo tempo em que aguardo a máquina de lavar roupas terminar a centrifugação
para poder estendê-las no varal.
UM TEMPO DE
DÚVIDAS E ANGÚSTIAS:
Faço uma
retrospectiva de tudo o que já escrevi sobre a mulher nas últimas décadas e
encontro um dos primeiros textos, quando estava descobrindo que é possível
trabalhar, ser mãe e dona de casa ao mesmo tempo. Naquela época, muitas
mulheres saíam para trabalhar com culpa por deixarem seus filhos em casa, com
babás, creches ou avós. Chegavam a abandonar temporária ou definitivamente a
carreira profissional para cuidar dos filhos.
Anterior aos
filhos, muitas mulheres tinham que optar entre carreira e casamento. “Por que
você deixou o seu último emprego?” – era uma das perguntas que eu fazia na
entrevista para recolocação profissional na Secretaria de Emprego e Relações do
Trabalho do Estado de São Paulo. A resposta mais freqüente era: “parei para
casar”.
O trabalho
foi, durante muito tempo, uma forma de sobrevivência para a mulher, sem a menor
chance de somar a isso, algo próximo à realização. A partir do momento em que
ela encontrava um provedor, ajustava-se à expectativa da sociedade machista e
abandonava o trabalho. A própria estrutura social induzia a isso, tendo em
vista a escassez e despreparo das creches e escolinhas particulares. A mulher
não conseguia conciliar a vida profissional com o casamento e o cuidado aos
filhos, por falta de estrutura emocional e social.
“Nosso lugar é
no mundo e não apenas na cozinha” – foi o que escrevi no artigo “Guerreiras”,
publicado cerca de 25 anos. Viva! Hoje,
estou eu aqui na lavanderia neste domingo ensolarado, com este notebook
conectado ao mundo. Nosso lugar não é apenas na cozinha, nem apenas na
lavanderia.
EVOLUÇÃO E
CONQUISTAS:
Devemos
agradecer a muitas mulheres como Alzira Soriano, Ana Pimentel, Maria Quitéria,
Maria Bonita, Leila Diniz, Escrava Bernarda, Maria Lenk, Fernanda Montenegro,
Chiquinha Gonzaga, Luz Del Fuego, Marquesa de Santos, Princesa Isabel, Chica da
Silva, Condessa de Barral, que abriram caminhos para que estivéssemos na
posição atual.
O frágil sexo
forte mereceu conquistas como a pílula anticoncepcional, nos anos 60, o divórcio
em 1977, a invenção das fraldas descartáveis em 1951, e do sutiã que livrou a
mulher de apertados espartilhos, em 1914; o absorvente descartável em 1930, o “ohne
binden”, que significa “sem absorvente”, mais conhecido como O.B., em 1974 no
Brasil, o aspirador de pós em 1901 e a máquina de lavar roupas em 1915 (olha
ela aqui, graças a qual escrevo estas páginas!).
Tudo isso e
muito mais contribuiu para que a mulher se tornasse mais livre e versátil, para
poder se manifestar no mundo do trabalho pelo prazer da realização e não
apenas, para sobreviver enquanto aguarda o casamento.
Em poucas
décadas, a evolução da mulher no mundo ocidental tornou-se cada vez mais
acentuada no que diz respeito a seus direitos. Ficou mais acessível a entrada
no mercado de trabalho, no meio universitário e soma-se a isso, a descoberta de
novas formas de se conduzir no amor. A saída do universo doméstico e do
exclusivo cuidado com os filhos conduziu-a para um espaço público antes
reservado apenas aos homens.
UM POUCO DE ESTATÍSTICA:
Segundo o
IBGE, existem 3.941.819 milhões de mulheres a mais que homens no Brasil. A taxa
de participação das mulheres na População Economicamente Ativa (PEA) é
consideravelmente superior à média latino-americana (55% contra 45%), mas é
inferior à média dos países desenvolvidos, de acordo com o relatório da
Organização Internacional do Trabalho (OIT) apresentado em 2003.
As mulheres inseridas no mercado de trabalho
dedicam 22,1 horas por semana às tarefas da casa, enquanto os homens gastam
apenas 9,9 horas com essas atividades. Apesar de apoiar a ida da mulher para o
mercado de trabalho, apenas 6,1% dos homens dividem as tarefas domésticas com
elas. A dupla jornada ainda é a realidade da mulher brasileira.
Durante a
semana, a jornada diária da mulher é de 502 minutos, 5% maior que a do homem
(480 minutos). No fim de semana, a jornada diária da mulher é de 326 minutos,
62% maior que a carga masculina (201 minutos), segundo dados da pesquisa da
socióloga Neuma Horizonte, em 2002.
Os filhos e o
emprego vêm em primeiro lugar para 52% das mulheres brasileiras.
No Brasil, 50%
da mão de obra economicamente ativa estão representadas pelas mulheres. Na
política, as mulheres ocupam menos de 10% dos cargos existentes, embora a liderança
maior do país atualmente esteja representada por uma mulher.
Cerca de 40%
do mercado de trabalho é composto por mulheres nos mais diversos cargos e
funções. Das 100 melhores empresas para se trabalhar, no Brasil, só 7,7% têm
diretoras e a questão que está por trás disso é o preconceito. Uma bobagem! O
universo do trabalho lucrou com o ingresso das mulheres e a dinâmica familiar
obteve benefícios da contribuição masculina, de tal forma que as diferenças se
completam na formação de uma sociedade onde poderá não existir privilégio de um
gênero sobre o outro.
.
OS EXTREMOS DA
VIOLÊNCIA:
No mundo, a
cada cinco dias de falta da mulher no trabalho, um é decorrente de violência
sofrida no lar. Segundo a ONU, o Brasil deixa de aumentar em 10% o PIB em
decorrência da violência contra a mulher.
Mas não é
apenas este tipo de violência que ocorre. A mulher está proporcionando
violência a ela própria. Com filtro solar e sem cair dos saltos altos, a mulher
passou de guerreira, a avassaladora, conquistou sua liberdade e transferiu a
submissão dos homens para os padrões de beleza externos. Não basta ser
inteligente, competente, bem sucedida e realizada profissionalmente. Ela se
cobra ser magra, bonita, bem cuidada, corpo perfeito, sempre jovem, mãe
compreensiva, dedicada, bem humorada, amante ardente e bem disposta, além, é
claro, de economicamente independente. Que amplitude de exigências!
O excesso de
demandas do cotidiano da mulher é o preço que ela está pagando por não saber
lidar com as conquistas de forma equilibrada. Parece que o mundo vai acabar nas
próximas horas e ela não pode respeitar a si, permitindo-se não sucumbir aos
exageros da evolução tecnológica da beleza. Sepultar a celulite, as rugas e os
complexos físicos, não deve ser mais importante do que a sua maturidade
emocional.
A mulher pode
desfrutar da tecnologia em prol da juventude, carregando na bolsa, além do
filtro solar, a bagagem do que já viveu e as mágoas que chorou, para que a
ênfase na aparência física em detrimento de sua capacidade intelectual não
diminua seu valor. Pode aprender a lidar com a solidão, vencer o sentimento de
culpa, encontrar um ponto de equilíbrio para o consumo excessivo, deixar de ser
escrava de padrões de beleza absurdos e abandonar a tirania da balança, da
moda.
Por outro lado,
pode ter a alegria de escolher com quem, onde e como quer ir, desenvolver
relacionamentos saudáveis, com autonomia, ao invés do tradicional “Eu só vou se
você for”, “Você só vai se eu deixar”.
COMPORTAMENTO
SEXUAL:
Observa-se
que hoje, o sexo não é mais o componente final de uma relação. Pelo contrário,
ele faz parte dos itens que levam a decidir querer ou não querer um
compromisso. É uma mudança significativa no comportamento feminino, tendo em
vista toda a repressão que havia na educação das mulheres há tempos atrás.
O
médico, psicoterapeuta sexual Flávio Gikowate distingue a mulher sexualmente
madura da mulher exibicionista.
Segundo
ele, a mulher moderna passou a amadurecer não só emocionalmente, mas sexualmente,
de tal forma que ela decide se adentrar num relacionamento pelo simples prazer
lúdico da relação. Ela não quer compromisso, não quer nada em troca. Quer se
divertir, quer brincar na cama. Geralmente, ela é naturalmente sedutora,
exuberante, resolvida e o conjunto de suas qualidades a destaca de mulheres que
possuem uma beleza padrão sem mistérios. Esse tipo de mulher deve ser
distinguido da mulher exibicionista também sedutora, que sofre de profunda
imaturidade emocional, segundo Gikowate, caracterizada por forte egoísmo e
baixa tolerância às frustrações; ela usa o intelecto aliado à sensualidade como
instrumento para atingir seus objetivos. Apenas promete, mas foge da relação sexual porque seu objetivo não é o
sexo. É a instrumentalização da sexualidade feminina a serviço de outros
propósitos que não o prazer. Trata-se de
uma armadilha consciente ou não.
A
mulher sexualmente resolvida está a procura do homem sexualmente resolvido, que
tem sensibilidade suficiente para distinguir o que está em jogo na hora da
sedução. As armadilhas não fazem parte de seu repertório comportamental e ela
se ofende quando não é tratada de acordo com sua clareza de intenção. Ela não
precisa de subterfúgios nem de armadilhas porque atinge seus objetivos de forma
auto-suficiente, independente, ficando a sexualidade livre para ser exercitada
como fonte de prazer.
Mulheres
resolvidas não têm ressaca moral, porque há uma liberação interna para o sexo
como há para todas as demais áreas antigamente consideradas tabus no universo
feminino. Elas têm a razão fortalecida, autocontrole, segurança, ousadia para
falar e para agir, auto-estima elevada, sabem viver o desejo com intensidade
sem que isso interfira nas demais áreas de sua vida.
Por
todo este conjunto, elas acabam se sentindo atraentes e competentes ao ponto de
não se preocuparem com a perfeição física; sabem que a sensualidade não depende
de beleza física, mas de todo um conjunto. Beleza e sensualidade são coisas
distintas e nesta competição, a sensualidade ganha no sentido de provocar o
desejo e o interesse dos homens.
Alguns
homens ainda insistem em colocar as mulheres como farinha do mesmo saco. Com isso, os desencontros acontecem e muitas
oportunidades se perdem por não haver um refinamento perceptivo sobre quem está
diante de quem. Acredito que seja por este motivo que muitas mulheres acabam se
machucando e também colocando os homens como farinha do mesmo saco.
Na
minha experiência clínica observo pessoas interessantes e belas, com muitas
qualidades, em busca de romance, mais do que qualquer outra coisa. Mas o medo
ainda as atrapalha quando estão diante daquilo que procuram.
Fugir
do prazer alcançável é a covardia justificada pela ausência de sensibilidade
competente para distinguir que nada poderá acontecer sem que as duas partes
realmente queiram.
A
mulher sensual e sexualmente resolvida descobre-se diante do homem resolvido
quando ambos se permitem exercitar o lúdico de uma relação.
ENTRE
MULHERES:
Estudiosos
observam que a igualdade entre homens e mulheres nunca foi aceita. Eu arrisco
dizer que nunca foi aceita até mesmo pela própria mulher, que passa a
discriminar a si ou discriminar outra mulher, principalmente dentro do universo
corporativo.
Não são raros
ataques invejosos, competições desonestas e assédio moral entre as próprias
mulheres no ambiente de trabalho, principalmente quando a competência evidente
é mais um atributo a ser agregado à condição feminina.
Na opinião de
Lívio Callado, ator e professor de Marketing Pessoal e Etiqueta Empresarial, as
mulheres competem entre si, naturalmente.
Se a mulher
aprendeu a conviver com as diferenças entre ela e os homens nos assuntos de
rotina profissional, outro passo é aprender a conviver com as possíveis
diferenças entre elas.
Causa-me
perplexidade os jogos de poder entre as mulheres, que relutam em reconhecer
capacidades, competência e liderança entre si, criando conflitos que desgastam
as relações interpessoais.
Tudo o que foi
conquistado para superar as distâncias que separavam a mulher do homem ao longo
da História, através de direitos trabalhistas, do exercício diário de
destruição do modelo frágil, agora pode ser avaliado como positivo: a
humanidade sabe que homens e mulheres se enriquecem com suas diferenças.
Se um dia, as
mulheres se uniram para vencer a discriminação e tantas outras doenças sociais,
não faz sentido que utilizem a inteligência, poder e capacidade para construir
a presente desunião que faz minar os esforços grupais. Seria uma mudança da
posição de dicriminada para discriminadora?
A mulher aprendeu
a se fazer respeitar com a sua postura, sua força criadora, e hoje dá a sua contribuição
no mundo conquistando cada vez mais a igualdade diante de uma sociedade eminentemente
machista.
Penso que o
momento é também de conquistas internas, através do autoconhecimento, que pode
levar a muitas mudanças no lar, nas empresas e organizações, no que diz
respeito ao relacionamento da mulher com o mundo e sobretudo com a própria
mulher.
CONCILIANDO
TRABALHO E REALIZAÇÃO:
A mulher
conquistou espaço no mercado de trabalho com as qualidades altamente
valorizadas tais como flexibilidade, capacidade de negociar, mediar, inovar, e
aprendeu a conciliar papéis. Poderá construir uma nova história, na qual
juntamente com o homem, encontrará novos pactos de convivência e novas
referências de relacionamentos públicos e privados.
Com
a roupa lavada e estendida no varal, posso finalmente me sentar na varanda e
assistir ao espetáculo do pôr-do-sol. Mas antes disso, com apenas um clique no
mouse, da lavanderia para o mundo, vai este texto para você leitor (a).
segunda-feira, 4 de março de 2013
PARA O AMOR DURAR
PARA O AMOR DURAR!
publicado na Revista Bem-Estar em 03 de março de 2013
Depois daquela atração que
virou amor, veio o casamento. Quem imagina que colocou estabilidade na relação
junto com aquela argolinha no dedo esquerdo, está mais que por fora. E, como
diz a minha amiga, está “redondamente enganado” (e ela faz girar o dedo indicador
direito ao pronunciar estas palavras) quem pensa que o amor é tudo para
perpetuar uma relação conjugal. Amar não basta! Para manter o relacionamento é
preciso mais.
Para o amor durar, ambos precisam investir
diariamente, dedicarem-se fortalecendo este amor com alguns ingredientes.
Respeito e liberdade são essenciais. As diferenças
precisam ser respeitadas. Isso envolve objetivos pessoais, profissionais,
gostos. Quando a pessoa precisa de aprovação e consentimento para fazer tudo,
só porque ama, este amor passou a limitar e deixar de acrescentar oportunidades
de crescimento, muitas vezes causando danos graves na personalidade daquele que
não pode mais se permitir ser quem é em nome do amor.
A liberdade pessoal e do casal
precisa ser preservada. Quando deixa de existir, o relacionamento se transforma
em uma prisão e quando existe em excesso pode provocar o afastamento.
A comunicação é a chave do entendimento. Embora
muitos não gostem de “discutir a relação”, o entendimento envolve conversa para
chegar a um acordo.
A admiração, que aparece intensamente no período da
conquista, não pode se esmaecer no decorrer do tempo. O desencantamento, quando
se descobre os pontos fracos ou não tão bons do parceiro, pode ser apenas
suficiente para coloca-lo na condição de quase perfeito e não mais que isso. Ou
seja, eliminar o relacionamento porque alguns pontos nele saíram do script do
mais recente sucesso musical do Roberto Carlos é, no mínimo, uma imaturidade.
E o ciúme? Na medida certa, ajuda a aquecer o relacionamento
dando sinais de que “eu me importo com você”. Porém, seus excessos beirando a
patologia, não ajudam em absolutamente nada, causando desgaste com as acusações
e desconfianças infundadas.
Apoiar as decisões do outro, mesmo quando não estamos
de acordo, em respeito aos seus sentimentos e desejos, é a mais pura
manifestação de companheirismo.
Responsabilidades divididas e estabelecidas com
cumplicidade também são ingredientes para o amor durar. Isso diz respeito aos
deveres do lar, educação e cuidados com os filhos, administração da entrada e
saída do dinheiro.
A prática de um planejamento comum, como comprar um
imóvel, carro, fazer uma viagem, ter ou não ter filhos e quando isso vai
acontecer, torna as conquistas mais prazerosas.
A vida sexual é de fundamental importância no
relacionamento e todas as suas nuances fazem muita diferença no cultivo do
amor.
Quando recebo em meu consultório um casal com
dificuldades no relacionamento, é muito comum ser estimulada a dizer “quem está
certo, quem está errado” nos pontos conflituosos. Este não é o objetivo do
trabalho terapeutico e sim o resgate da comunicação saudável e de todos os
pontos que transformaram a união inicialmente prazerosa, em aversiva,
limitadora e infeliz.
A mediação dos conflitos pode levar à retomada
de uma convivência saudável e harmoniosa, dando espaço para o amor rolar
gostoso, sem jogos de poder.
Relacionamentos são renováveis
a cada dia. Quando existe neles clareza, compreensão e aceitação o amor tem
grandes chances de durar!
Kátia Ricardi de Abreu
Psicóloga Clínica e Consultora de Empresas
17 32332556
domingo, 3 de março de 2013
DIA INTERNACIONAL DA MULHER
Aqui no meu blog, vou publicar artigos a semana toda. Confiram!
segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
FAXINA
FAXINA
Dia ensolarado e quente. Minha inquietude fazia borbulhas dentro de mim. Quem sabe se eu fizesse alguma coisa... arrumar o meu armário! Isso! Arrumar armários, gavetas, nunca é demais! A gente sempre encontra alguma coisa ali guardada que desperta alguma lembrança ou que já está na hora de descartar.
Lá fui eu toda animada, apesar da temperatura estar mais propícia para um mergulho, obviamente não dentro do armário.
E de repente me peguei fazendo uma faxina muito mais interna do que externa. Borbulhava em mim sentimentos, emoções, que eu fui levemente conectando, ouvindo, decifrando. Foi inevitável. Dormi e amanheci angustiada, mas pronta para minhas decisões.
Hoje o dia está nublado, a temperatura mais amena. O sol não brilha tão audaciosamente como ontem. Coloco meus tênis para uma caminhada e sei que lá vou eu novamente mergulhar dentro de mim enquanto caminho.
Que coisa mais irritante, não consigo sair da subjetividade! Ou talvez deva fazer uma outra leitura de mim. Parar de me incomodar com este meu lado que pode estar mais para corajoso do que para irritante. Talvez... Porque é preciso muita coragem para fazer uma faxina interna.
Lá vou eu dar meus passos longos e rápidos na calçada da vida. Lá vou eu abandonar o que não mais me faz bem e percorrer caminhos desafiadores na estrada evolutiva.
A angústia ainda me ronda. Mas sei que logo chegarei naquele lugar confortável dentro de mim, que me diz: Kátia, foi melhor assim!
Mais tarde vamos brindar a passagem para um novo ano. Eu vou brindar mais que isso. Vou brindar a passagem para uma nova etapa da minha vida.
Tim-tim! Feliz vida nova!
Kátia Ricardi de Abreu
Dia ensolarado e quente. Minha inquietude fazia borbulhas dentro de mim. Quem sabe se eu fizesse alguma coisa... arrumar o meu armário! Isso! Arrumar armários, gavetas, nunca é demais! A gente sempre encontra alguma coisa ali guardada que desperta alguma lembrança ou que já está na hora de descartar.
Lá fui eu toda animada, apesar da temperatura estar mais propícia para um mergulho, obviamente não dentro do armário.
E de repente me peguei fazendo uma faxina muito mais interna do que externa. Borbulhava em mim sentimentos, emoções, que eu fui levemente conectando, ouvindo, decifrando. Foi inevitável. Dormi e amanheci angustiada, mas pronta para minhas decisões.
Hoje o dia está nublado, a temperatura mais amena. O sol não brilha tão audaciosamente como ontem. Coloco meus tênis para uma caminhada e sei que lá vou eu novamente mergulhar dentro de mim enquanto caminho.
Que coisa mais irritante, não consigo sair da subjetividade! Ou talvez deva fazer uma outra leitura de mim. Parar de me incomodar com este meu lado que pode estar mais para corajoso do que para irritante. Talvez... Porque é preciso muita coragem para fazer uma faxina interna.
Lá vou eu dar meus passos longos e rápidos na calçada da vida. Lá vou eu abandonar o que não mais me faz bem e percorrer caminhos desafiadores na estrada evolutiva.
A angústia ainda me ronda. Mas sei que logo chegarei naquele lugar confortável dentro de mim, que me diz: Kátia, foi melhor assim!
Mais tarde vamos brindar a passagem para um novo ano. Eu vou brindar mais que isso. Vou brindar a passagem para uma nova etapa da minha vida.
Tim-tim! Feliz vida nova!
Kátia Ricardi de Abreu
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