quinta-feira, 5 de novembro de 2015

CONTRATOS DE RELACIONAMENTO

Todo relacionamento é repleto de conteúdo que pode ser distorcido. Porque nós podemos contaminar nossa comunicação interna e externa sem ter consciência disso. Muitas vezes agimos com uma pessoa do presente tendo na nossa cabeça uma pessoa do passado.

Quanto mais consciência adquirimos sobre quem somos nós, mais nos isentamos destas relações transferenciais.

Para termos relacionamentos saudáveis, podemos utilizar uma comunicação simples, clara, com objetivos e expectativas declaradas um ao outro. Combinar como desejamos que este relacionamento seja, de forma específica e declarada.

Até mesmo os rompimentos podem ser contratados. Por exemplo, um casal certa vez em uma consulta, combinou: "Quando você não quiser mais ficar comigo, diga isso de forma direta por favor. Odeio ter que ficar juntando sinais para concluir isso sozinha".

Este foi o tema da palestra ministrada na EGO CLÍNICA na última quarta-feira. Falamos sobre os acordos verbais nas relações de trabalho e nas relações pessoais.


exercitando contratos de relacionamento durante palestra na Ego Clínica


sexta-feira, 30 de outubro de 2015

NOVO AMOR

Hoje pela manhã, um pássaro voou, pousando tão próximo que eu pude derrubar meus olhos sobre ele com tempo suficiente para ver suas cores, seu bico, o desenho perfeito de suas asas. E mal meus olhos haviam chegado até as asas, já não o encontraram mais. Criatura de Deus, ágil e faceira, voou para bem longe sem que eu pudesse guardar mais lembranças dos segundos de tempo em que passou pela minha vida.

 Posso ver outro igual, parecido, mas este, certamente não mais cruzará o meu caminho. Ou talvez, ele volte por aqui, mas eu não o reconhecerei.

Outras criaturas de Deus ficam por mais tempo na minha morada. Como a coruja, que todas as noites me espera no mesmo lugar e baila sobre a capota do carro durante uns cem metros  - provavelmente a distância suficiente para proteger seu ninho. Ou ainda, como o urutau que se confunde com o tronco da árvore há vários dias e o casal de tucanos na árvore farinheira.

Determinada a aprender com a natureza, passei a me acostumar com o canto das cigarras e o coachar dos sapos. Surpreendida com visitantes inofensivos da mata quase urbana, como as lagartixas, lagartos, teiús, gambás, saguis e por aí afora. Até mesmo um coelho todo saltitante já apareceu na relva, todo branco e orelhudo.

Com o tempo, fiquei mais envolvida com os tons de verde da natureza e desenvolvi habilidades de jardinagem para cuidar das plantas e respeitar os bichinhos da cadeia alimentar. Abelhas? Deixe-as aí na bananeira. Aranhas? Deixe-as aí com suas teias entre os galhos das árvores.  Quando algum bicho me incomoda, lembro-me de São Francisco de Assis. Saúdo sua presença e faço dele mais um companheiro da minha morada.

Aprendi que ninguém passa pela nossa vida por engano. Não existem erros nos planos de Deus. Nem  uma formiguinha cruza nosso caminho por acaso. Mesmo que a ela não tenhamos dado alguma importância. Aprendi também, que pessoas e criaturas ficam nas nossas vidas o tempo necessário aos planos de Deus. Como o pássaro que cruzou comigo hoje pela manhã. Aprendi que nossa felicidade, não pode depender da permanência de pessoas e criaturas em nossas vidas, por mais que seja grande nosso amor por elas. Amar é desapegar-se. Permitir que novas pessoas e criaturas entrem e sejam carinhosamente acolhidas, abrindo outros ciclos de relacionamento nos faz aprendizes e nos fortalece.

Meu pastor alemão, eutanasiado recentemente, deixou um enorme vazio na minha vida. Mas em todos os momentos nos quais sua ausência foi sentida, agradeci pelo tempo em que estivemos juntos, em que nossas vidas se cruzaram. Como diz Joanna de Ângelis, "nos níveis nobres da consciência de si e da cósmica, a gratidão aureola-se de júbilos, e os sentimentos não mais permanecem adstritos ao eu, ao meu, ampliando-se ao nós, a mim e você, a todos juntos. A gratidão é a assinatura de Deus colocada na Sua obra. Quando se enraíza no sentimento humano logra proporcionar harmonia interna, liberação de conflitos, saúde emocional, por luzir como estrela na imensidão sideral".

Sem qualquer pretensão de substituir este companheiro fiel, o Universo me enviou seu provável sobrinho. Recebo-o com amor. Afinal, "talvez a verdadeira felicidade seja essa: se esquecer de qualquer outra coisa que não esteja diante dos teus olhos enquanto você sorri".






quinta-feira, 15 de outubro de 2015

FIDELIDADE



Não tivemos despedida. Eu não sabia que ele iria embora da minha vida assim, de repente. Se eu soubesse, teria amado mais. Teria aproveitado mais os poucos minutos que estivemos juntos, contados e roubados dos meus afazeres, compromissos, deveres, responsabilidades.

Tratei-o com muito dengo. Permissiva demais, fui fazendo vistas grossas e deixando-o usar e abusar, transgredir regras. Tive que mudar alguns conceitos para aceitá-lo na minha vida. Que eu me lembre, só nos desentendemos uma vez. Fui corajosa, firme com ele e nunca mais ele ultrapassou os limites comigo.

Seu tamanho exageradamente grande às vezes me assustava, quando desprevenida. Mas eu me derretia como manteiga com o olhar terno, carinhoso, que ele me dirigia.
Parecia que ele sempre queria me ver. Ou, talvez, todo esse amor nunca existiu e foi apenas uma fantasia construída pela minha cabeça para suprir minha necessidade de me sentir amada. Não importava se estava calor, chovendo ou fazendo frio, parecia que ele sempre queria me ver.

Sonhei com ele antes de sermos apresentados. Sabia que seria uma experiência gratificante, assim que meus olhos se encontraram com os dele. Não sei se eu o escolhi ou se ele me escolheu. Sei que tivemos um relacionamento intenso, profundo, embora passageiro demais para o meu gosto.

Como se estivéssemos em um Universo paralelo, falávamos no silêncio a linguagem que só as almas entendem.

Uma grande perda. Vai ser difícil me acostumar com a ausência deste amigo fiel. A ele, minha homenagem! Vai em paz, seja o guardião do céu!.




quarta-feira, 16 de setembro de 2015

GESTÃO DE PESSOAS: desenvolvimento de grupos e organizações

Estivemos no Rotary Club São José do Rio Preto ministrando palestra sobre GESTÃO DE PESSOAS. Falamos um pouco sobre o papel do Psicólogo nas empresas e na sociedade atual.





TV CÂMARA

Estivemos nos estúdios da TV CÂMARA gravando para o PROGRAMA CIDADANIA no último 11 de setembro. Foi um bate-papo sobre o papel do Psicólogo na comunidade.


CONGRESSO BRASILEIRO DE ANÁLISE TRANSACIONAL

Em agosto, tivemos a honra de participar de mais um CONBRAT, o evento da União Nacional dos Analistas Transacionais do Brasil. Algumas fotos para perpetuar bons momentos:

Abertura oficial, Hotel Nacional Inn, Curitiba-PR




Abertura, com Maila Flesch, James Allen, Vitor Merhy e Jorge Close
















Com o convidado internacional, James Allen, após a conferência de abertura do CONBRAT













Com Antonio Pedreira, nos corredores do CONBRAT




Comemorando os 30 anos da UNAT-BRASIL



Anunciando o próximo evento da Associação: IX FÓRUM BRASILEIRO DE ANÁLISE TRANSACIONAL, em setembro de 2016 - cidade sede: são José do Rio Preto-SP

INFANTOLATRIA

(publicado na Revista Bem-Estar, Diário da Região, 13/09/15)

Existe um período no qual os filhos podem e devem reinar na família. Ao nascerem, os bebês são colocados no centro das atenções, pois suas necessidades têm que ser decifradas. Este reinado deverá chegar ao fim até o segundo ano de vida no máximo, para que entendam a existência e as diferentes necessidades dos outros.
A infantolatria ocorre quando os pais não promovem esta adequação da criança ao mundo, dando a ela o poder de comandar a dinâmica familiar. Tudo é determinado em função da vontade da criança sempre. Não há espaço para as vontades de mais alguém. Os pais se colocam como súditos da criança e se colocam disponíveis para realizar todas as suas vontades e desejos o tempo todo.
Sabemos que a criança passa a ser a prioridade no ambiente familiar. Fazer suas vontades é OK, dentro de limites que também considerem a existência do outro. Este outro pode ser o irmão mais velho, o primo que veio visitar e quer brincar com os mesmos brinquedos, o vizinho que brinca no playground, e até mesmo os próprios pais e demais adultos que convivem com a criança.
Pais que fazem absolutamente tudo que a criança quer não estão educando. Podem agir assim como uma tentativa de compensação pelas horas ausentes. Ou por pensarem que agir desta forma significa demonstrar muito carinho pela criança. Se não houver limites, esta atitude dos pais poderá ter consequências danosas para o desenvolvimento da criança, que poderá apresentar no decorrer da vida, dificuldades de socialização e insegurança.
Além disso, poderá ocorrer distanciamento na relação conjugal quando o casal se transforma em pai e mãe e acaba se esquecendo de cultivar o relacionamento entre eles, porque o foco está exageradamente voltado para o filho. Já atendi no consultório vários casos de perda do apetite sexual neste contexto. A mulher se envolve tanto com as atenções à criança, que se desconecta de sua sexualidade. Não é raro ouvirmos o casal chamar um ao outro de “pai” e “mãe”, denunciando a dificuldade.
Ao iniciar as atividades escolares, a criança que aprendeu reinar o tempo todo em casa, vai repassar este comportamento para a escola e geralmente é neste momento que os pais começam a se preocupar diante das pontuações feitas por professores e orientadores pedagógicos.
Quando buscam orientação psicológica, é comum se queixarem do comportamento do filho, sem considerarem que foram eles, pais, que o colocaram nesta posição, que permitiram esta situação. Neste contexto, o filho não é o problema. É o sintoma de uma disfunção familiar. O trabalho do profissional, neste caso, é devolver aos pais o empoderamento necessário para conduzir a dinâmica familiar de forma amorosa e firme, revendo suas atitudes em relação à criança. Esta necessitará do profissional para a reeducação emocional. Vai aprender a se frustrar e saber dividir o que é seu, dar a vez para alguém, esperar o quanto for necessário para ter o que quer. Vai aprender que a vontade dos outros também existe e deve ser respeitada. Logo estará adaptada ao mundo, socializada, pronta para viver usando seu poder de forma cooperativa.
            Este trabalho com a criança somado à orientação aos pais tem apresentado bons resultados na minha prática clínica, quando os pais estão abertos para reverem seus conceitos, valores, crenças e experimentarem novo repertório comportamental. Dependendo do caso, o envolvimento nas orientações pode ser mais amplo, estendendo-se aos avós, babás, professores, enfim, pessoas que participam da rotina da criança.
Em nome do amor, pais e familiares educadores não sabem que estão dando muito mais poder do que a criança necessita para se tornar um ser humano saudável. Nunca é tarde para voltar atrás e dar novo direcionamento para esta difícil tarefa de educar.

KÁTIA RICARDI DE ABREU
Psicóloga Clínica especialista em Análise Transacional e Consultora de empresas