quinta-feira, 22 de setembro de 2011

O CAMINHO SE FAZ CAMINHANDO

Ela acordou decidida. Enroscou seu cabelo despenteado numa presilha dourada, tirou do armário seu vestido mais confortável, fechou os olhos para os saltos altos e desenterrou do armário impecavelmente arrumado aquela rasteirinha esquecida por pelo menos dois anos naquele canto da prateleira. Disposta, muito disposta a colocar as pendências em dia, mais uma vez ela se olhou no espelho, talvez para se convencer de que não estava tão mal assim naqueles trajes.

Diante da janela, apreciou a manhã suavemente morna, olhou para o pinheiro esguio e forte fincado na terra adubada e úmida e pensou: o caminho se faz caminhando. Sorveu mais um gole do café fumegante e saiu a passos largos como se estivesse atrasada.

Atrasada para que?

Ela sabia que não seria nada fácil mas também sabia que poderia conseguir, se tentasse. E foi... foi... foi. Buscou, caiu, levantou. Chorou, se secou e se fartou de tantos momentos difíceis. Lutou, perdeu, ganhou. Por causa de tantos passos, também se machucou. Mas não ligou.

Ela caminhou. Pouco, muito, não soube dizer. Caminhou o suficiente para fazer sua própria estrada, para olhar para trás e ver a marca da rasteirinha na terra vermelha ainda úmida pelos míseros pingos de uma mísera chuva caída na noite anterior.

O caminho se faz caminhando.

E apenas por isso, ela se foi!