domingo, 2 de agosto de 2015

AME SUAS PERDAS!

Fonte: Super Ela

Certa vez perdi o homem da minha vida. Confesso, com todo o drama que exige uma boa fossa, que meu mundo caiu. Chorei vinte e quatro horas seguidas, levantei e fiz o que tinha que ser feito: seguir em frente.
Claro que por algum tempo não fui feliz. Mas percebi, como numa tragada de inspiração, que o homem da minha vida era completamente substituível.
De lá para cá, perdi três homens da minha vida e continuo de pé - e sorrindo, se quer saber.

Perdi também um grande amigo. Ele não morreu para o mundo, mas para mim, sim. Descobri uma traição daquelas que não se faz com melhores amigos. Encontrei muitos outros melhores amigos - alguns me traíram, alguns me consolaram, e todos foram embora. E outros sempre chegaram.

Noutro episódio triste da vida, perdi dois empregos - que tinha concomitantemnete - na mesma semana. A crise veio e não havia mais como pagar aos colunistas. "OK". Chorei por umas horas, refiz o orçamento, me ajustei, novamente, ao caos da vida como pude. Encontrei outros três empregos nos meses seguintes. Alguns me fizeram feliz, outros não e a todos perdi. E outros sempre chegaram.

A única certeza que temos na vida é de que, vez ou outra, perderemos. As pessoas vão embora, as crises vão chegar, nossos amigos vão nos trair. As perdas são essa realidade cruel que precisamos aceitar - e tirar proveito, sempre que possível. 

O barato disso tudo é que, sempre que perdemos algo importante, temos a oportunidade de enxergar com uma clareza que só a tristeza proporciona as tantas outras coisas importantes que ainda temos. E de perceber, com a perspicácia que só as crises nos trazem,  as outras tantas coisas importantes que chegarão. As perdas têm a indispensável função de nos fazer renascer. Cuidar do que ainda temos e lutar pelo que precisamos. 

Não tenho piedade dos bons perdedores - mas aqueles que ganham sempre, coitados, não têm a chance de enxergarem-se tais quais são: humanos, errantes, passíveis de terríveis perdas e sobretudo, capazes de reconstruir qualquer coisa que seja. E de deixar partir o que não lhes pertence.

Vencer é maravilhoso, especialmente para quem merece. Mas só na tristeza das perdas encontramos a delícia de renascer. Ame as suas vitórias, mas, sobretudo, as suas sábias perdas - elas sim nos apuram o paladar para o gosto bom de ganhar.